ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM EM NEONATOLOGIA

Prezado(a) estudante, seja bem-vindo(a) à disciplina de Assistência de Enfermagem em Neonatologia! Ao longo desta jornada, iremos explorar um universo fascinante do cuidado integral ao recém-nascido. Esse momento da vida humana é marcado por transformações profundas que exigem uma atenção qualificada, tanto do ponto de vista biológico quanto psicossocial. 

A neonatologia é uma área da enfermagem que demanda conhecimento técnico aprofundado, habilidades práticas refinadas e, acima de tudo, um olhar humanizado. Nosso objetivo é proporcionar a você uma formação sólida, capacitando-o a prestar cuidados dentro do campo da neonatologia, com foco principalmente nos cuidados intensivos neonatais. 

Ao longo dos nossos estudos, iremos conhecer a fisiologia neonatal, compreendendo as adaptações do organismo à vida extrauterina e as vulnerabilidades comuns a essa fase inicial da vida. Aprenderemos a avaliar o recém-nascido, identificando sinais e sintomas de morbidade e risco, estabelecendo assim diagnósticos de enfermagem importantes para tomada de condutas. Além disso, desenvolveremos habilidades para a execução de procedimentos específicos, que são desenvolvidos em ambiente hospitalar mais complexo como as Unidades de Terapia Intensiva Neonatal – UTIN. 

Iremos ao longo do percurso trabalhar sempre com a humanização na assistência, sendo esse um dos pilares principais das nossas rotinas de desenvolvimento de ações de saúde voltadas para esse público. Acreditamos ainda que o cuidado ao recém-nascido deve ser integral, abrangendo não apenas os aspectos biológicos, mas também os emocionais e sociais, nos quais iremos dedicar espaços para o estudo e a discussão sobre a importância do apoio e da comunicação com as famílias.

A relevância desta disciplina para a formação do enfermeiro é incontestável. Ao se especializar em neonatologia, você estará apto(a) a atuar em unidades de alta complexidade, contribuindo para a redução da morbimortalidade infantil e promovendo a saúde das futuras gerações.

MINHAS METAS
  • Compreender os fundamentos da neonatologia.
  • Desenvolver habilidades de avaliação neonatal.
  • Planejar e executar cuidados de enfermagem humanizados e qualificados ao recém-nascido.
  • Capacitar-se para atuar em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal – UTIN.
  • Promover a saúde neonatal e o desenvolvimento integral.
  • Refletir sobre os aspectos éticos e legais na assistência neonatal.
  • Integrar conhecimentos de epidemiologia e promoção de saúde.

Inicie sua Jornada

Imagine agora você, recém-formado(a) e trabalhando em um hospital de referência, na UTI neonatal, participando do atendimento a um recém-nascido prematuro, com sinais de desconforto respiratório e precisando assim de cuidados imediatos. A equipe toda está realizando as primeiras intervenções e você nesse momento, junto com a equipe de enfermagem, inicia a verificação de sinais vitais e procedimentos iniciais para admissão do bebê. A equipe médica solicita que você vá conversar com os pais da criança e passar-lhes as informações iniciais. Então, nesse momento você percebe o quanto suas ações são importantes não só para o prognóstico do paciente, mas também no acolhimento da família naquele momento de sofrimento.

É crucial que o enfermeiro participe dessa situação, pois será mais uma de tantas outras que o formarão como um profissional experiente em neonatologia. O cuidado com o recém-nascido em situação de risco exige conhecimentos técnicos e competências específicas como a avaliação de parâmetros clínicos, habilidades interpessoais, empatia e comunicação eficaz. Atuar nessas circunstâncias sem as habilidades necessárias pode comprometer a segurança do paciente, causar sofrimento nos familiares e desgaste na equipe. Por outro lado, estar bem preparado é sinônimo de resultados clínicos positivos, oferecendo assim suporte essencial em momentos críticos.  

Durante os estudos, você terá a oportunidade de vivenciar situações semelhantes por meio de estudos de caso, podendo interagir com cenários que envolvam o manejo inicial de um recém-nascido em risco, nos cuidados intensivos em uma UTIN ou ainda na orientação para os pais no pós-alta. Essas atividades permitirão que você desenvolva habilidades para identificar rapidamente problemas, planejar intervenções e garantir o suporte adequado, tanto ao recém-nascido quanto à sua família. 

Dessa forma, fazendo uma reflexão sobre esses contextos, fica evidente considerar que a sua atuação como enfermeiro pode impactar vidas e transformar situações críticas em resultados positivos. Mais do que cumprir protocolos, o enfermeiro neonatal desempenha um papel indispensável na construção de um ambiente que une excelência técnica e acolhimento humano.   

VAMOS RECORDAR

Antes de darmos início aos aspectos específicos do cuidado neonatal, é importante relembrar o começo: o que é neonatologia e por que ela é essencial? A neonatologia é o campo que foca na saúde do recém-nascido, especialmente nos primeiros 28 dias de vida. É um período crítico, pois é quando o bebê enfrenta adaptações fisiológicas intensas e pode necessitar de cuidados especializados. Compreender a importância desse tema é o primeiro passo para se tornar um profissional capacitado. Quer saber mais? Clique aqui e confira um texto introdutório sobre o tema!

PLAY NO CONHECIMENTO

Clique aqui e ouça um podcast sobre a enfermagem na neonatologia.

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EM FOCO

Assista um vídeo sobre a assistência ao recém-nascido na sala de parto.

Conteúdo de áudio/vídeo não patrocinado. Esse recurso utilizará seu pacote de dados (ou wifi) para ser exibido.

A partir deste momento daremos início ao estudo da enfermagem neonatal, aprofundando os conceitos, discutindo práticas, relacionando teorias, criando pensamento crítico e colocando em prática todo o conteúdo aprendido. Dessa forma, falaremos sobre como tudo começou, o início da neonatologia e sua história, seus conceitos e fundamentos, sua importância, a epidemiologia das condições neonatais, o desenvolvimento fetal e neonatal, as adaptações fisiológicas ao nascer, a avaliação e o diagnóstico neonatal.  Vamos lá!

1 INTRODUÇÃO A NEONATOLOGIA

A assistência ao recém-nascido passou por importantes e necessárias transformações ao longo dos anos, principalmente por conta das mudanças decorrentes dos contextos políticos e socioeconômicos.

1.1 NEONATOLOGIA NO MUNDO E BRASIL – CONTEXTO HISTÓRICO

No século XIX não existiam instituições ou médicos dedicados a cuidar dos recém-nascidos; os que nasciam com algum problema de saúde, más-formações congênitas e os prematuros eram deixados à própria sorte para morrer, com um sentimento de que era a vida realizando a seleção natural. Dessa forma, as taxas de mortalidade infantil eram altíssimas, principalmente em países menos desenvolvidos (Avery, 1999).

Com o aumento gradativo das taxas de mortalidade em todo o mundo e com as baixas taxas de natalidade, surgiu na Europa, entre 1870 e 1920, uma organização que pretendia diminuir a mortalidade infantil através de melhoria nas condições sociais e de saúde (Figura 1). Ficou conhecido como um dos primeiros movimentos a se preocupar com os recém-nascidos, com cuidados preventivos e maiores cuidados nas maternidades. Era plantada ali, de forma muito tímida, a primeira semente da neonatologia (Lussky, 1999).

Figura 1 – Coeficiente de Mortalidade Infantil no Brasil, 1930 a 2050

Fonte: Ramos Júnior (2009). 

#ParaTodosVerem: a imagem apresenta um gráfico de barras que mostra o coeficiente de mortalidade infantil (por 1.000 nascidos vivos) ao longo dos anos. O título do gráfico está em português e o eixo horizontal representa os anos, começando em 1930 e indo até 2050, provavelmente com projeções a partir dos anos mais recentes. O eixo vertical mostra os valores do coeficiente, que variam de 0 a 180. Detalhes do gráfico: Valores de mortalidade infantil em diferentes anos: 1930: 162,4 I 1935: 152,7 I 1950: 128,2 I 1975: 100 I 1985: 62,9 I 2000: 27,4 I 2020: 14,3 I 2050: 6,4 I Observação: Há uma queda constante na mortalidade infantil ao longo dos anos. Projeções sugerem uma continuidade na redução, com valores esperados de 6,4 por 1.000 nascidos vivos em 2050.

Em 1878, o obstetra e professor Stephane Ethienne Tarnier idealizou o que seria a primeira incubadora do mundo e, junto com um funcionário do zoológico de Paris, desenvolveu um projeto que seria inspirado nas chocadeiras de ovos de galinha. Com essa inovação, a taxa de mortalidade caiu de 66% para 33% entre os prematuros com peso abaixo de 2.000kg (Lussky, 1999).

Em 1892, o obstetra francês Pierre Budin (Figura 2) criou o primeiro centro de atendimento aos recém-nascidos, um ambulatório de puericultura no hospital Charité em Paris.  Dessa forma, a neonatologia foi considerada tendo seu início com Pierre Budin (Avery, 1978).

Figura 2 – Centro de Neonatologia

Fonte: Bucher (2018).

#ParaTodosVerem: a imagem apresenta uma sala onde aparecem oito incubadoras da época e cinco pessoas, sendo duas mulheres e três homens. Todas as incubadoras aparecem interligadas por tubos grossos e metálicos.

O médico Martin Couney, que por seus feitos passou a ser conhecido como “Doutor Incubadora”, foi um dos primeiros a oferecer cuidados especializados para recém-nascidos prematuros, atuando de 1898 a 1943. Outro marco significativo para a história da neonatologia foi a criação do “Box de Oxigênio” pelo pediatra Julius Hess, no ano de 1934, que era utilizado para os distúrbios respiratórios. (Downes, 1992).

A enfermagem teve um papel fundamental na consolidação da neonatologia como especialidade de saúde. O pediatra Julius Hess escreveu um artigo em que descrevia as mudanças ocorridas no atendimento ao neonato. Ele referiu que os resultados obtidos foram muito melhores quando existiam enfermeiras cuidando dos bebês prematuros. (Hess, 1951).

Anos mais tarde, a Enfermeira Lundeen passou a realizar viagens para divulgar seus conhecimentos. Seu trabalho foi reconhecido, e ela foi indicada em 2019, pela Academy Neonatal Nursing, para o Hall da Fama da Enfermagem Neonatal (DHHS, 1992).

No Brasil, por volta do século XIX, a assistência à criança ainda era precária e baseada em ações pontuais de prevenções que eram desenvolvidas por entidades de caridade e filantropia. Foram então criadas as instituições de cunho social para o atendimento pediátrico (Oliveira, 1998).

A neonatologia tem seu marco histórico no País em 1882 com a inauguração da Policlínica Geral do Rio de Janeiro (Oliveira, 1999).

Já em 1910, sob a supervisão do médico Antônio Fernandes Figueira, foi inaugurada a Policlínica das Crianças, mantida pela Santa Casa de Misericórdia (Anuário Brasil, 1922).

Foi criado no Brasil o Programa Nacional de Saúde Materno-Infantil, entre as décadas de 1970 e 1980, instituindo diversas ações para a redução da morbimortalidade materna infantil (Oliveira, 2004).

Em 1991, após a criação do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), o Ministério da Saúde implementou o Programa de Assistência à Saúde Perinatal, destinado a cuidar da unidade mãe-feto e do recém-nascido (RN). Essa iniciativa permitiu a organização hierárquica e regionalizada da assistência perinatal, promovendo melhorias na qualidade do atendimento ao parto e ao RN. (Oliveira, 2004).

Em 2011, o Ministério da Saúde cria a Rede Cegonha, que é a Rede de Atenção à Saúde da Mulher e da Criança, através da portaria n° 1.459/2011, com o propósito de garantir às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo, além de proporcionar uma atenção humanizada durante a gestação, o parto e o puerpério; o programa também assegurou às crianças o direito a um nascimento seguro (Brasil, 2015).

Com o objetivo de fortalecer o cuidado integral à criança, em 2015 foi criada a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC) no âmbito do SUS. Formada por sete eixos estratégicos, essa política é aplicada de forma transversal nos diferentes níveis de atenção, visando orientar e aprimorar as ações e os serviços voltados à saúde infantil (Brasil, 2015).

1.2 DEFINIÇÃO E IMPORTÂNCIA DA NEONATOLOGIA

Os termos “neonatologia” e “neonatologista” foram publicados pela primeira vez em uma obra de Alexandre Schaffer em 1960. Esse livro que tratava das doenças dos recém-nascidos foi a primeira obra publicada no mundo em que se trazia a definição da Neonatologia: “a arte e a ciência do diagnóstico e o tratamento dos distúrbios do recém-nascido” (Ferreira; Fernandes; Barroso, 2019).

De acordo com Campanha e Bueno (2024), a neonatologia é a área da saúde que presta cuidados ao recém-nascido, realiza pesquisas clínicas e tem como principal objetivo a redução da morbimortalidade perinatal, mantendo o neonato nas melhores condições funcionais possíveis.

Esse período passa a ser crítico, pois compreende os primeiros 27 dias pós-parto e é considerado como vulnerável por questões de riscos sociais, ambientais, biológicos e culturais, sendo considerado o período responsável por até 70% dos óbitos infantis nos últimos anos (Costa, 2023).

1.3 EPIDEMIOLOGIA

A melhoria nas condições de educação e sociais da população, bem como o avanço tecnológico e no acesso e qualidade dos serviços de saúde, contribuíram significativamente na redução da mortalidade infantil no Brasil e no Mundo.

Os conceitos de saúde e doença são construídos a partir das necessidades da sociedade, em que verificamos essa necessidade na relação do trabalho com a saúde ou com a doença, na qual a incapacidade de trabalhar pode levar o indivíduo a ficar doente afetando assim a sua relação com a economia e sociedade (Brasil, 2011).

Dessa forma, para se entender como o social determina o processo saúde-doença, é necessário observar as condições de saúde da população entendendo como trabalham e ganham a vida em todas as classes sociais, o que produzem e consomem e em quais condições e a distribuição de renda sob todos os aspectos econômicos. Analisando dessa forma, iremos perceber que a qualidade de vida é afetada por vários componentes estruturais, sendo assim o processo saúde-doença socialmente determinado (Brasil, 2004).

Ainda, na compreensão do processo saúde-doença, sob o olhar fisiológico, percebemos que os fatores biológicos também são muito importantes, mas é extremamente importante entender como ele se articula com o processo social. A partir dessa compreensão, apresenta-se a determinação social do processo saúde-doença perinatal, em que os fatores que influenciam no processo saúde-adoecimento na gestação estão diretamente relacionados ao modo de levar a vida na sociedade que se analisa (Brasil, 2016).

Assim podemos então entender que os fatores que vêm determinando o processo saúde-doença perinatal estão intimamente ligados aos números de morbimortalidade materna e infantil, com a baixa cobertura vacinal, as condições sociais como saneamento e nutrição, principalmente das classes menos favorecidas, e a situação econômica. A economia tem impactado diretamente os indicadores de saúde; por exemplo, quando os governantes realizam ajustes fiscais e congelamentos de repasses para os programas de saúde dos estados e municípios, como o que aconteceu na emenda n°95, que impactou diretamente os indicadores de saúde materno-infantil e influenciou na determinação social da doença, sendo que as famílias de menor renda são as mais afetadas pela redução de investimentos em políticas sociais (Leal; Szwarcwald; Almeida, 2018).

1.3 DESENVOLVIMENTO FETAL

Neste momento, iremos entender como o feto se desenvolve intraútero, para podermos melhor entender o comportamento do recém-nascido nos primeiros dias de vida. Nesse momento de desenvolvimento, a partir da nona semana, veremos os eventos que se desenvolvem no período fetal, que é logo após o período embrionário. 

Assim, as estruturas, órgãos e sistemas continuarão a se desenvolver e novas estruturas começarão a aparecer, além da complexidade dos sistemas que continuará a evoluir.

  • 9 a 12 semanas – Nesse período, o córtex já começa a apresentar as sinapses nervosas, e a estrutura que conecta os dois hemisférios do cérebro, o corpo caloso, já começa a aparecer. O sistema nervoso periférico e central já está em alto desenvolvimento. Essa é então a fase de início do desenvolvimento do sistema nervoso.  O feto mede cerca de 8,5 centímetros, o fêmur tem 1,5 centímetro, e o diâmetro biparietal do crânio é de 2,5 centímetros (Fig. 03).

Figura 3 – Feto de aproximadamente 9 a 12 semanas

Fonte: Freepik (2024).

#ParaTodosVerem: a imagem apresenta uma representação de um feto de 9 a 12 semanas, dentro do útero, com os membros em formação, com olhos fechados, cabeça ainda desproporcional ao corpo e cordão umbilical ligado à placenta.

  • 13 a 15 semanas – Nesse momento o pâncreas já se encontra em plena atividade e liberando os hormônios na corrente sanguínea do bebê. As unhas dos pés já começam a aparecer e, nas meninas, os primeiros folículos ovarianos já começam a se formar bem no comecinho da décima terceira semana. O crescimento do feto passa a ser bem acelerado, alcançando aproximadamente 12 centímetros. O pescoço já está bem alongado.

Figura 4 – Feto de aproximadamente 13 a 15 semanas

Fonte: Freepik (2024).

#ParaTodosVerem: a imagem apresenta uma representação de um feto de 13 a 15 semanas, dentro do útero, com os membros ainda em formação, mas já desenvolvidos. Os olhos ainda permanecem fechados, cabeça ainda desproporcional ao corpo e cordão umbilical ligado à placenta, aparecendo ao seu lado.

  • 16 a 18 semanas – O corpo do feto já se encontra coberto pelo lanugo, pelo bem fininho que o recobre. O processo de formação óssea do feto já está bem avançado em diversos ossos, inclusive nos pequenos ossos do ouvido. A glândula cerebral responsável pela secreção dos hormônios, adeno-hipófise, já se encontra formada. Os dentes de leite já se encontram presentes na gengiva fetal, mas só aparecerão após meses do nascimento. O feto já tem aproximadamente 22 centímetros e 220 gramas (Fig. 05).

Figura 5 – Feto de aproximadamente 16 a 18 semanas.

Fonte: Freepik (2024).

#ParaTodosVerem: a imagem apresenta uma representação de um feto de 16 a 18 semanas, dentro do útero, com os membros já bem desenvolvidos.  Os olhos ainda permanecem fechados, mas já tomam contornos mais proporcionais, cabeça ficando mais proporcional ao corpo e cordão umbilical ligado à placenta.

  • 19 a 21 semanas – Nesse momento o crescimento desacelera um pouco e o feto já tem 27 centímetros e 390 gramas. O bebê passa a se mover mais e assim a mãe já passa a senti-lo. O corpo já se torna mais proporcional, inclusive as estruturas da face. O feto já pode apresentar cabelo e o corpo já se encontra coberto pela vernix caseosa, que protege a pele do contato permanente com o líquido amniótico (Fig. 06).

Figura 6 – Feto de aproximadamente 19 a 21 semanas

Fonte: Freepik (2024).

#ParaTodosVerem: a imagem apresenta uma representação de um feto de 19 a 21 semanas, dentro do útero, com os membros já bem desenvolvidos. Os braços e as pernas estão em posição de cruzados.  Os olhos ainda permanecem fechados, mas já tomam contornos mais proporcionais, cabeça proporcional ao corpo e cordão umbilical ligado à placenta.

  • 22 a 25 semanas – A partir dessas semanas o bebê já responde a estímulos sonoros externos e as unhas já estão aparentes, possuindo também os dentes permanentes e em formação. A pele, ainda enrugada pela falta de gordura subcutânea, cobre um corpo que já mede 36 centímetros e pesa cerca de um quilo. Os alvéolos pulmonares já estão em desenvolvimento e os olhos apresentam movimentos típicos do sono. O cérebro segue em evolução, com conexões sendo estabelecidas entre o sistema nervoso central e o periférico. Em casos de parto prematuro nessa fase, as chances de sobrevivência são significativamente maiores (Figura 7).

Figura 7 – Feto de aproximadamente 22 a 25 semanas

Fonte: Freepik (2024).

#ParaTodosVerem: a imagem apresenta uma representação de um feto de 22 a 25 semanas, dentro do útero, com os membros já bem desenvolvidos. O feto aparece segurando os pés com as duas mãos e com um aspecto de sorriso.  Os olhos estão simétricos e proporcionais à cabeça, que também está proporcional ao corpo. O cordão umbilical aparece ligado à placenta.

  • 26 a 30 semanas – Nessa fase, o feto já pesa dois quilos e mede 43 centímetros. A pele já está ficando menos enrugada, pois a gordura subcutânea começa a se acumular, deixando o bebê com o corpo mais definido. Os olhos já se abrem e possuem pálpebras, cílios e sobrancelhas formados (Fig. 08).

Figura 8 – Feto de aproximadamente 26 a 30 semanas

Fonte: Freepik (2024).

#ParaTodosVerem: a imagem apresenta uma representação de um feto de 26 a 30 semanas, dentro do útero, com os membros já formados. O feto aparece chupando o dedo da mão direita.  Os olhos estão simétricos e proporcionais a cabeça, que também está proporcional ao corpo. O cordão umbilical aparece ligado à placenta.

  • 31 a 34 semanas – O cérebro do feto adquire a aparência de um cérebro adulto, com aspecto mais enrugado. As unhas já estão completamente formadas e já atingem todo o comprimento da ponta dos dedos. Nessa fase, os testículos iniciam a descida da cavidade abdominal para o saco escrotal (Fig. 09).

Figura 9 – Feto de aproximadamente 31 a 34 semanas

Fonte: Freepik (2024).

#ParaTodosVerem: a imagem apresenta uma representação de um feto de 31 a 34 semanas, dentro do útero, com os membros já bem desenvolvidos. O seu tamanho já é o triplo do tamanho da placenta. Os olhos estão simétricos e proporcionais à cabeça, que também está proporcional ao corpo. O cordão umbilical aparece ligado à placenta.

  • 35 a 38 semanas – O feto já tem quase 10 vezes o peso que tinha nas 19 semanas. Todos os órgãos devem estar em pleno funcionamento. Os pulmões do bebê ainda estão em formação, mas estão praticamente formados. Com a cavidade oral praticamente toda desenvolvida, o feto já possui boa capacidade de deglutição. Os olhos já adquirem formato e tamanho de 75% do tamanho que terão na vida adulta. O nascimento está próximo, mas mesmo após nascer, o bebê continuará seu desenvolvimento na vida extrauterina e alguns sistemas corporais como o cardiovascular, respiratório e urinário só terminam sua diferenciação após o nascimento. O cérebro continua se desenvolvendo até a adolescência.

Nesse momento, o feto já está praticamente todo formado e já demonstra uma capacidade pulmonar e de deglutição significativa, sinalizando que o momento do nascimento está se aproximando rapidamente. Entretanto, mesmo após o nascimento, o desenvolvimento do bebê está longe de ser concluído. Nos meses e anos seguintes, inúmeras transformações continuarão a acontecer.

1.4 ADAPTAÇÕES FISIOLÓGICAS AO NASCIMENTO

Iremos tratar agora das mudanças ocorridas no recém-nascido e das adaptações que seu organismo precisa realizar para se adequar em um local inóspito para o bebê naquele momento. Como explicar como uma criança consegue respirar após o nascimento, visto que seu pulmão até então estava encharcado de líquido pulmonar e sua troca gasosa era realizada pelo seu cordão umbilical, diretamente na corrente sanguínea? Pois é, é sobre essa e outras mudanças que falaremos agora. Vamos lá?

A adaptação à vida fora do útero diz respeito às modificações que acontecem em todo o corpo do bebê, principalmente no seu sistema cardiorespiratório, permitindo assim autonomia para exercer as funções vitais fora do útero. Essas alterações envolvem a transição da circulação fetal ou placentária para uma circulação e respiração independente (Zugaib, 2014).

O próprio ato de nascer gera estresse ao recém-nascido, bem como o ambiente e os sons. Dessa forma, existe um comprometimento de troca gasosa do bebê, pelas situações de estresse e pelo fato de ter que respirar de uma forma que até então não era a habitual, o que pode comprometer naquele momento o equilíbrio ácido básico no sangue por conta da dificuldade respiratória e atividade cardiovascular (Campanha; Bueno, 2022).

Assim, é imprescindível que o Enfermeiro realize a avaliação clínica do recém-nascido em sala de parto, identificando as necessidades que se apresentam nos primeiros minutos de vida, no momento do parto. É importante também identificar a história da gestação, pois nela podem existir situações que podem influenciar na vida pós-útero e na adaptação desse bebê.

O Enfermeiro precisa então ter conhecimento sobre gestação e pré-natal, primeiros cuidados com um recém-nascido, conhecimento em técnicas complexas como reanimação do RN, bem como o conhecimento sobre a fisiologia pulmonar do bebê, sendo capaz de identificar os distúrbios e a diferença entre circulação fetal e circulação extrauterina. Iremos agora entender as duas principais transições que ocorrem no recém-nascido no momento do parto e que garantem a sua sobrevivência no ambiente extrauterino.

Transição respiratória – Na circulação fetal, o corpo do bebê antes de nascer é preparado para viver dentro do útero materno, onde a placenta é a responsável por fornecer oxigênio e nutrientes ao feto, enquanto os pulmões ainda não são utilizados.

No coração do RN existem duas passagens que são responsáveis por levar o sangue para todo o corpo do bebê, e são chamadas de forame oval e ducto arterioso. Eles permitem que o sangue oxigenado que vem da placenta siga direto para o cérebro sem precisar passar pelos pulmões.

Ao nascer, o bebê precisa se adaptar rapidamente a um novo ambiente. Os pulmões, que antes estavam cheios de líquido, precisam começar a funcionar, e os caminhos especiais no coração precisam se fechar.

Para que essa adaptação ocorra, o corpo do bebê passa por algumas mudanças importantes:

Ao primeiro choro, os pulmões do bebê se expandem e se enchem de ar, iniciando a respiração.

Com o primeiro respiro, a pressão sanguínea no coração se altera, fazendo com que esses caminhos se fechem naturalmente.

O sangue começa a circular pelo corpo de forma diferente, levando oxigênio para todos os órgãos.

É importante que o parto ocorra de forma natural, com as contrações uterinas e a liberação de hormônios (as catecolaminas). Esses fatores ajudam a preparar os pulmões do bebê para a respiração e facilitam a adaptação à vida fora do útero.

Quando o parto não ocorre de forma natural, o bebê pode ter mais dificuldade em se adaptar. Isso pode levar a problemas respiratórios, como a taquipneia transitória do recém-nascido.

Transição circulatória – Ao nascer, o RN passa por uma transformação complexa: de um ambiente onde ele era extremamente dependente, para um ambiente em que o seu primeiro ato tem que ser para salvar sua vida. Ou seja, ele precisa aprender a respirar agora sozinho. Uma das maiores mudanças ocorre no sistema circulatório.

Antes do nascimento, a circulação fetal é projetada para atender às necessidades do bebê dentro do útero. O sangue rico em oxigênio, proveniente da placenta, segue um caminho diferente do que veremos nos adultos. Existem shunts, ou atalhos, no coração fetal que permitem que o sangue evite os pulmões, que ainda não estão funcionando.

EU INDICO

Confira agora, neste vídeo, uma forma didática de como ocorre a transição circulatória logo após o nascimento. Para acessar, clique aqui.

Figura 10 – Circulação Fetal.

Fonte: Moore e Persaud (2008, p. 332).

#ParaTodosVerem: a imagem apresenta uma representação da circulação fetal, mostrando a entrada do sangue materno, vindo da placenta, na circulação fetal pela veia umbilical que segue para o fígado e passa diretamente para o ducto venoso, que liga a veia umbilical com a veia cava inferior e leva o sangue oxigenado para o átrio direito, onde é direcionado através do forame oval para o átrio esquerdo onde o sangue vai se misturar com o sangue vindo dos pulmões vindo das veias pulmonares. O sangue segue para o ducto arterial que desloca o sangue da artéria pulmonar para a artéria aorta seguindo para a artéria descendente.

Com o primeiro choro, tudo muda. O cordão umbilical é cortado, e o neonato precisa começar a respirar por conta própria. Essa mudança desencadeia uma série de eventos, acompanhe a seguir:

Graças ao surfactante, um líquido produzido nos pulmões, os alvéolos se abrem e o recém-nascido começa a respirar ar. O surfactante evita que os alvéolos colabem, facilitando a troca gasosa.

O forame oval, um orifício no coração que permitia que o sangue passasse diretamente do átrio direito para o esquerdo, se fecha. O ducto arterioso, um vaso sanguíneo que conecta a artéria pulmonar à aorta, também se fecha.

Os vasos sanguíneos dos pulmões se dilatam, permitindo que mais sangue flua para os pulmões

Por que essas mudanças são tão importantes?

Com os pulmões funcionando e os shunts fechados, o sangue rico em oxigênio dos pulmões pode ser distribuído para todo o corpo do bebê, através agora do coração em pleno funcionamento. Essa mudança é crucial para garantir que todos os órgãos recebam o oxigênio necessário para funcionar corretamente.

E qual o papel da enfermagem nesse processo?

A enfermagem neonatal desempenha um papel fundamental na monitorização e no cuidado do recém-nascido durante essa fase de transição. Os profissionais de enfermagem observam atentamente a frequência cardíaca, respiratória, a coloração da pele e outros sinais vitais do recém-nascido.

E quais complicações podem acontecer?

Embora a maioria dos bebês se adapte bem à vida extrauterina, algumas complicações podem ocorrer, como:

Se o ducto arterioso não se fechar completamente, pode ocorrer um aumento do fluxo sanguíneo para os pulmões, levando a problemas respiratórios.

Nessa condição, os vasos sanguíneos dos pulmões permanecem contraídos, dificultando a passagem do sangue

Relacionado à imaturidade pulmonar e à deficiência de surfactante.

A adaptação do recém-nascido à vida extrauterina é um processo complexo e fascinante. Entender as mudanças que ocorrem no sistema circulatório é fundamental para os profissionais de saúde que cuidam de recém-nascidos. A enfermagem neonatal desempenha um papel crucial nesse processo, promovendo o bem-estar e a saúde do bebê e de sua família.

1.5 AVALIAÇÃO E DIAGNÓSTICO FETAL

A assistência ao recém-nascido tem início imediato após o parto, com a realização de uma série de procedimentos e avaliação criteriosa de parâmetros vitais que irão garantir a adaptação a vida extrauterina, visando assegurar a saúde e o bem-estar do RN.

A avaliação da idade gestacional (IG) e do peso ao nascer constitui um dos pilares dessa assistência, permitindo a classificação do recém-nascido em diferentes categorias de risco.

A IG, definida como o período compreendido entre a última menstruação e o parto, é um dos principais indicadores da maturidade fetal e neonatal. Sua determinação precisa é crucial, pois a IG influencia diretamente o desenvolvimento de diversos órgãos e sistemas, sendo um fator determinante para a previsão de riscos como a síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido (SDRN) e a icterícia neonatal. Recém-nascidos pré-termo, por exemplo, apresentam maior risco de desenvolver essas complicações devido à imaturidade de seus órgãos.

Além da data da última menstruação, outros métodos são utilizados para determinar a IG, como a avaliação clínica, que se baseia na análise de características físicas do recém-nascido, como a textura da pele, a quantidade de pelos e a conformação das orelhas (Método de Capurro). A ultrassonografia, por sua vez, permite a medida de parâmetros fetais durante a gestação, fornecendo uma estimativa mais precisa da idade gestacional.

A correlação entre a IG e outros parâmetros antropométricos, como o peso ao nascer, a altura e a circunferência cefálica, é fundamental para a avaliação do crescimento fetal e a identificação de desvios do padrão de normalidade. Essa avaliação completa permite a identificação de recém-nascidos com restrição de crescimento intrauterino ou macrossomia, condições que podem estar associadas a complicações no período neonatal.

Assim, o recém-nascido pode ser classificado de acordo com a IG (Tabela 1), de acordo com o peso (Tabela 2) e a associação do peso com a idade gestacional (Tabela 3).

Tabela 1 – Classificação do RN de acordo com a idade gestacional

RECÉM-NASCIDO

IDADE GESTACIONAL

RN PRÉ-TERMO

INFERIOR A 37 SEMANAS

RN MATURO OU TERMO 

37 A 41 SEMANAS E 6 DIAS

RN PÓS-MATURO OU PÓS-TERMO

ACIMA DE 42 SEMANAS

Fonte: Adaptada de: https://portal.wemeds.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pp.png

O cuidado com o recém-nascido na sala de parto inicia com a realização de vários procedimentos que visam a assegurar a sua integridade física e a prevenção de complicações nesses primeiros momentos de vida extrauterina.

Tabela 2 – Classificação do RN de acordo com o peso

RECÉM- NASCIDO

PESO

BAIXO PESO

IGUAL OU INFERIOR A 2.500g

MUITO BAIXO PESO AO NASCIMENTO

ABAIXO DE 1.500g

EXTREMO BAIXO PESO AO NASCIMENTO

ABAIXO DE 1.000g

Fonte: Adaptada de: https://portal.wemeds.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pp.png

Esse processo inclui a análise de duas importantes variáveis, a saber:

Tabela 3 – Classificação do RN de acordo com o a associação do peso e IG

RECÉM-NASCIDO

PESO

GRANDE PARA A IDADE GESTACIONAL

ACIMA DO PERCENTIL 90

ADEQUADO PARA A IDADE GESTACIONAL

ENTRE O PERCENTIL 10 E 90

PEQUENO PARA A IDADE GESTACIONAL

ABAIXO DO PERCENTIL 10

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A avaliação da idade gestacional é um dos pilares da assistência ao recém-nascido, permitindo a identificação de fatores de risco, a previsão de complicações e a individualização do cuidado. A determinação precisa da IG, associada à avaliação de outros parâmetros, contribui para a otimização do cuidado neonatal e a promoção do desenvolvimento saudável do recém-nascido.

INDICAÇÃO DE FILME

Nascer no Brasil: Parto, da violência obstétrica às boas práticas.

O documentário apresenta um inquérito sobre as maternidades brasileiras, revelando as contradições de um sistema que deveria celebrar a vida, mas frequentemente causa sofrimento. A produção denuncia a medicalização excessiva do parto, a violência obstétrica e a negligência no atendimento, expondo os impactos físicos e emocionais nas mulheres. Com um olhar crítico e sensível, o filme questiona os protocolos médicos rotineiros e destaca a urgência de humanizar a experiência do nascimento no país.

Capurro desenvolveu na década de 80 um método que passou a ser utilizado pelos pediatras para ajudar quando a idade gestacional é desconhecida ou incerta. É bastante útil quando outros métodos de avaliação não estão disponíveis.

Segundo Neto et al. (2022, p. 47), são utilizadas as características somáticas (textura da pele, formato da orelha, glândulas mamárias, prega plantar, formação do mamilo) além das características neurológicas.

Tabela 4 – Tabela de Classificação de Capurro

Textura da Pele

Muito Fina

= 0

Fina e Lisa

= 5

Algo mais grossa, discreta descamação superficial

= 10

Grossa, rugas superficiais, descamação nas mãos e pés

= 15

Grossa, com rugas profundas

= 20

Forma da Orelha

Chata, disforme, pavilhão não encurvado

= 0

Pavilhão parcialmente encurvado na borda

= 8

Pavilhão parcialmente encurvado em toda parte superior

=16

Pavilhão totalmente encurvado

=24

Glândula mamária

Não palpável

=0

Palpável, menor que 5 mm

= 5

Entre 5 e 10 mm

= 10

Maior que 10 mm

= 15

Pregas Plantares

Sem pregas

=0

Marcas mal definidas sobre a parte anterior

= 5

Marcas bem definidas sobre a metade anterior e sulcos no terço anterior

= 10

Sulcos na metade anterior da planta

= 15

Sulcos em mais da metade anterior da planta

= 20

Formação do mamilo

Apenas visível

=0

Aréola pigmentada, diâmetro menor que 75mm

=5

Aréola pigmentada, pontiaguda, diâmetro menor que 75 mm, borda não elevada = 10

Borda elevada, diâmetro maior que 75 mm

=15

Sinal do xale

O cotovelo alcança a linha axilar anterior do lado oposto

= 0

O cotovelo situado entre a linha axilar anterior do lado oposto e a linha média

= 6

O cotovelo situado ao nível da linha média

= 12

O cotovelo situado entre a linha média e a linha axilar anterior do mesmo lado

= 16

Posição da cabeça ao levantar o RN

Cabeça totalmente deflexionada e ângulo torácico 270°

= 0

Ângulo cérvico torácico entre 180 e 270°

= 4

Ângulo cérvico torácico igual a 180

= 8

Ângulo cérvico torácico menor que 180

= 12

Fonte: Adaptada de: https://cdn.prod.website-files.com/6183dd96412e87442af816b4/62ba182699f134fbbfe6d299_jG0Ha8DtAh1_xeaC3LikUwY5oCAGyYkfRXyLfSB4MOP-HcYTA7eJs8dN1O9QAfyY4IDnQf31oNHxPSat9VhNIXob6cm9XTaQb5peV7XLQeK-kDKm75T6-DTrQJq0uzoV7AECWio.jpeg

Para diagnosticar a IG pelo método de Capurro, faz-se a soma dos pontos obtidos em cada avaliação e soma-se com a constante 200, obtendo a IG em dias. Ex.: CAPURRO = A+B+C+D+E+F+G+200 = IG.

Figura 12 – Realização do método Capurro das características somáticas.

Fonte: Cavalcanti et al. (2019, p. 17).

#ParaTodosVerem: a imagem apresenta um recém-nascido passando por uma avaliação em quatro momentos distintos. Na imagem superior do canto esquerdo, temos a avaliação da formação da orelha do RN. Na imagem seguinte, superior do canto direito, temos a avaliação do tamanho da glândula mamária, em que o avaliador utiliza uma fita métrica. Na próxima imagem, no canto esquerdo e inferior, temos o avaliador avaliando a formação do mamilo e usando também uma fita métrica. Na última imagem, no canto direito e inferior, temos o avaliador realizando a avaliação da prega plantar.

Realizar o método de Capurro para se descobrir a idade gestacional permite uma estimativa rápida e precisa da idade gestacional (IG) de um recém-nascido, o que é fundamental para o manejo clínico e o planejamento de cuidados neonatais.

Eu indico

Neste vídeo, você aprenderá de forma prática a realizar o exame de Capurro, a sua finalidade e importância.

Conteúdo de áudio/vídeo não patrocinado. Esse recurso utilizará seu pacote de dados (ou wifi) para ser exibido.

Vale lembrar que o exame de Capurro não é uma avaliação que é obrigatória na sala de parto, sendo utilizado somente em RN a partir de 29 semanas de gestação e quando outros métodos de avaliação de IG não estão disponíveis.

NOVOS DESAFIOS

Ao concluir este capítulo, é imprescindível refletir sobre a relevância dos temas abordados e sua contribuição para a formação profissional em neonatologia. Começamos explorando a história da neonatologia, compreendendo como o avanço do conhecimento científico e o desenvolvimento de tecnologias impactaram positivamente os cuidados aos recém-nascidos. Essa perspectiva histórica não apenas nos ajuda a valorizar os progressos alcançados, mas também nos desafia a continuar aprimorando as práticas clínicas para enfrentar os desafios contemporâneos.

Em seguida, discutimos as fases do desenvolvimento fetal, destacando os aspectos fisiológicos que sustentam a gênese e a formação de órgãos e sistemas. Esse conhecimento é essencial para o entendimento das condições de saúde e possíveis intercorrências que podem surgir durante a gestação e ao nascimento. Complementando, analisamos as adaptações do recém-nascido à vida extrauterina, incluindo as transformações respiratórias, circulatórias e metabólicas. Esse conhecimento fortalece a capacidade do enfermeiro em identificar sinais precoces de alterações e agir de forma oportuna para garantir o bem-estar neonatal.

A partir desse ponto, direcionamos nossa atenção aos temas que serão explorados nos próximos capítulos, os quais ampliam e complementam os fundamentos aqui discutidos. O aleitamento materno, por exemplo, é uma área de extrema importância que exige conhecimento técnico e habilidade para promover, proteger e apoiar essa prática essencial à saúde do recém-nascido e da mãe. De igual relevância, a reanimação neonatal destaca-se como um dos momentos mais críticos no cuidado ao recém-nascido, demandando preparo e competência técnica para agir com segurança e eficiência em situações de emergência.

Outro tema crucial que abordaremos é a orientação aos pais, que desempenha um papel central na promoção de um ambiente seguro e favorável ao desenvolvimento do recém-nascido. Por fim, exploraremos as especificidades da assistência de enfermagem ao recém-nascido crítico, uma área que exige conhecimento especializado, tomada de decisão rápida e um olhar humanizado para garantir o cuidado integral.

Esse percurso teórico se conecta diretamente com a prática profissional. Cada conceito explorado é uma peça essencial no desenvolvimento de competências que habilitam o enfermeiro a atuar de forma segura e efetiva em um ambiente tão sensível como o da neonatologia. À medida que nos aprofundamos nos temas seguintes, o objetivo é integrar esse conhecimento às situações reais do mercado de trabalho, proporcionando uma formação consistente e alinhada às demandas contemporâneas.

Ao final deste material, você será convidado a avaliar seu aprendizado e refletir sobre como cada parte do conteúdo contribuiu para sua formação. Esse é um momento valioso para consolidar sua compreensão e se preparar para os próximos passos em sua jornada profissional na neonatologia.

REFERÊNCIAS

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BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.459, de 24 de junho de 2011. Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, a Rede Cegonha. Brasília: Ministério da Saúde, 2011. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt1459_24_06_2011.html. Acesso em: 06 dez. 2024.

BRASIL. Presidência da República. Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004. Cria o Programa Bolsa Família e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 2004. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.836.htm. Acesso em: 06 dez. 2024.

BRASIL. Senado Federal. Emenda Constitucional nº 95, de 15 de dezembro de 2016. Altera o ato das disposições constitucionais transitórias, para instituir o novo regime fiscal, e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 2016. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc95.htm. Acesso em: 06 dez. 2024.

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