MINHAS METAS
  • Buscar entendimento sobre a Indústria 4.0 e o futuro do trabalho por meio do contexto apresentado no case. 
  • Utilizar as características do perfil profissional contemporâneo.
  • Articular conhecimentos prévios e construídos acerca da trabalhabilidade na nova economia.
  • Analisar e reconhecer as características e dimensões para uma carreira sustentável e exponencial.
  • Entender como as novas tecnologias se aplicam aos modelos de trabalho.
  • Verificar se as competências pessoais atuais estão em consonância com as competências requeridas pelas novas tecnologias.
  • Adaptar o projeto de vida ao novo contexto do trabalho. 

Inicie sua Jornada

Antes de iniciarmos nosso tema de aprendizagem especificamente, quero dividir com você uma experiência que vivi recentemente. Tenho certeza de que essa vivência pode ilustrar nosso tema.

Outro dia, eu encontrei um colega de escola que há muito tempo não via. Paramos para contar um sobre e outro, o que havia acontecido, que rumo nossas vidas tinham tomado e relembramos os tempos de escola. Foi aí que ele me contou a sua jornada profissional e o que estava acontecendo com ele. É esta história que quero dividir com você.

João, meu colega de escola, foi morar em uma cidade chamada Progresso, pois, devido ao polo industrial da região, as oportunidades de trabalho eram grandes. Logo que começou a trabalhar, percebeu quanto a automação e a inteligência artificial haviam transformado completamente a indústria. João era um trabalhador experiente e começou a trabalhar em uma fábrica de automóveis, mas, infelizmente, seu trabalho foi substituído por robôs altamente eficientes. Sem emprego e sentindo-se desesperado, João decidiu buscar uma nova oportunidade.

Determinado a se adaptar às mudanças, João se matriculou em um programa de treinamento especializado em inteligência artificial e robótica. Ele aprendeu a programar e a operar os robôs que haviam tirado seu antigo emprego. Com sua paixão pelo setor automotivo e sua nova habilidade em lidar com a tecnologia, João conseguiu um emprego como supervisor de robôs na mesma fábrica em que trabalhava.

Ele descobriu que sua nova posição exigia não apenas habilidades técnicas, mas também habilidades interpessoais. Ele era responsável por coordenar equipes de robôs e garantir que eles trabalhassem de forma eficiente e segura. Além disso, também tinha que treinar os outros funcionários para trabalhar em colaboração com os robôs.

Com o tempo, João percebeu que a automação não estava eliminando empregos, mas transformando-os. À medida que os robôs realizavam as tarefas repetitivas e perigosas, os trabalhadores humanos podiam se concentrar em atividades mais criativas e complexas. João tornou-se um defensor da colaboração entre humanos e máquinas, promovendo o desenvolvimento de novas habilidades e competências para se adaptar ao futuro do trabalho.
Estava satisfeito agora e se sentindo incluído na nova economia, compreendendo qual é a nova dinâmica do trabalho e como poderia avançar e crescer. Adquiriu conhecimento e estava ensinando e contribuindo com o novo modelo de negócio instaurado na indústria.

Meu colega se deu conta de que vivemos em uma era de constantes transformações impulsionadas pela revolução digital. A tecnologia está redefinindo a maneira como trabalhamos, interagimos e nos desenvolvemos profissionalmente. O futuro do trabalho é um tema que desperta grande interesse e inquietação, pois o ritmo acelerado das mudanças exige uma adaptação constante dos profissionais.

Um dos aspectos cruciais nesse cenário é a evolução do perfil profissional. As habilidades tradicionais, como conhecimentos técnicos específicos, são complementadas por competências cada vez mais voltadas para a adaptabilidade, criatividade, resolução de problemas complexos e trabalho em equipe. João logo percebeu que o profissional do futuro precisa estar aberto a aprender novas tecnologias, lidar com incertezas e se adaptar a ambientes de trabalho dinâmicos.

Além disso, a noção de trabalhabilidade assume um papel fundamental na nova economia. A era digital traz novas formas de trabalho, como o teletrabalho, o freelancer e a economia colaborativa. A flexibilidade e a capacidade de se reinventar, como João fez, tornam-se elementos essenciais para se destacar nesse novo contexto. Aqueles que conseguem se adaptar rapidamente, aproveitar as oportunidades oferecidas pela tecnologia e construir redes de relacionamento sólidas têm maiores chances de sucesso.

No entanto, o futuro do trabalho não se resume apenas à busca pela empregabilidade, mas também ao desenvolvimento de carreiras sustentáveis e exponenciais. Uma carreira sustentável é aquela em que o profissional se adapta continuamente ao mercado e à profissão, adquirindo novas habilidades e conhecimentos para prosperar ao longo do tempo em um ambiente em constante evolução. Uma carreira exponencial é aquela em que o profissional não apenas se adapta, mas busca inovação, especialização e contatos estratégicos para um crescimento notável e transformador em sua área.

O futuro do trabalho na era digital requer uma mentalidade aberta, uma predisposição para a aprendizagem contínua e uma capacidade de adaptação. É um momento de desafios, mas também de inúmeras oportunidades. Aqueles que estão dispostos a abraçar a mudança e se preparar para as demandas do mercado estarão mais bem posicionados para prosperar em um cenário de trabalho em constante evolução. Esse foi o desafio de João.
E você? Está preparado para o viver o futuro que já está acontecendo? Sim, a tendência é logo termos modelos de negócios centrados na nova economia e a prática de gestão, comando e controle focado em bens de consumo dando lugar à colaboração, crescimento em escala e automação.

Neste tema de aprendizagem, vamos estudar o que se vem pesquisando e entendendo sobre o trabalho dentro desta perspectiva para que você possa considerar a leitura desse ambiente no seu plano de projeto de vida.

PLAY NO CONHECIMENTO

Acesse o podcast Organizações exponenciais para conhecer mais desse modelo de negócio que a nova economia trouxe e atente para como o profissional do futuro será visto quanto as suas competências. Divirta-se!

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Olá, estudante! Você já ouviu falar sobre a nova economia? Ela representa um novo momento para as empresas que optam por fazer mais com menos, ou seja, menos dinheiro, menos pessoas e, consequentemente, menos custos. A partir dessa premissa, elas atuam com um novo modelo de negócio focado em inovação, apoiadas por uma gestão ágil, com hierarquia mais flexível e compromisso com a sustentabilidade. São as chamadas organizações exponenciais. Esse termo foi trazido e descrito pelo executivo salim ismail, idealizador da singularity university (singulériti iunivérsiti), dedicada aos assuntos da nova economia.

 As organizações exponenciais utilizam tecnologias avançadas, como a inteligência artificial, a robótica, análise de big data (bigue déra) e internet das coisas, para crescer rápido e sustentavelmente. Elas geralmente apresentam uma estrutura organizacional plana e flexível, com equipes autônomas e ágeis, e um forte foco na inovação e na colaboração.

Essas organizações também costumam adotar modelos de negócio escaláveis, que permitem que elas cresçam exponencialmente sem aumentar seus custos fixos. Elas são altamente adaptáveis e ágeis, capazes de responder rapidamente às mudanças no mercado e na tecnologia.

Como exemplos de organização exponencial, temos a uber, que criou um modelo de negócio disruptivo ao utilizar a tecnologia para conectar motoristas e passageiros, eliminando intermediários e reduzindo os custos de transação e o airbnb (éir bi em bi), que, sem um prédio físico, possui a maior rede de hospedagem do mundo e vale alguns bilhões de dólares.

Para ser uma organização exponencial, é necessária uma mentalidade inovadora e disposta a experimentar novas ideias e tecnologias. Além disso, esse modelo de negócio requer uma cultura de colaboração e aprendizado contínuo, em que as pessoas são incentivadas a compartilharem conhecimento e trabalharem juntas para resolverem problemas complexos. Essas empresas não focam em um único objetivo centrado em tecnologia, elas pensam grande. Por exemplo, o google (gúgol) objetiva organizar toda a informação do mundo. Acredita-se que, assim, será possível instigar a imaginação e a ambição dos que estão dentro e fora das empresas.

Por isso, uma das premissas propostas por ismail é a definição do propósito de transformação massivo (ptm), que se constitui a partir de cinco características essenciais:

Equipes sob demanda. Não existem grandes equipes, mas competências que duram cinco anos, diminuindo o custo com pessoas.

  • Comunidade. Espaços digitais onde as empresas divulgam seus produtos e buscam ideias e opiniões.
  • Algoritmos. Evitam que as empresas caiam em vieses cognitivos humanos, o que facilita a tomada decisões.
  • Alavancagem de ativos. É melhor ser dono de um ativo escasso e raro do que optar pelo outsourcing (autissórsim). A tesla tem suas fábricas e a amazon, seus armazéns, por exemplo.
  • Engajamento. Cria efeitos de rede e ciclos de feedbacks (fídebéquis) de grande alcance. Ferramentas como a lógica de jogos dão poder às pessoas para que elas façam progressos em escala.

Em conclusão, entendemos que esse modelo disruptivo de negócio já está instalado e, até mesmo, pode ser adotado por empresas já no mercado, como fez a gopro (gol pró). Eles primam pela redução de custos e geração de resultados em curto e médio prazo. Quanto mais rápido uma startup (estártapi) se torna um unicórnio (com valor de mercado em 1 bilhão de dólares), maior será o interesse em sua compra. Abre-se um novo nicho de mercado. O unicórnio tem interesse em ser adquirido e facilmente é vendido, assim, adquire capital para novos negócios ou para a aposentadoria.

Investigue mais sobre esse tema, entenda como funcionam essas empresas, seu modelo de gestão, o papel das lideranças, como é o modelo de trabalho, dentre outras possibilidades. Esse já é o futuro! Até a próxima.

Baixe o podcast em palavras

VAMOS RECORDAR

O que torna o trabalho satisfatório? Além do pagamento, existem valores intangíveis que nossa maneira atual de pensar sobre o trabalho simplesmente ignora. É hora de parar de pensar nos trabalhadores como engrenagens de uma roda. Nessa perspectiva, como fica a sua relação com o seu trabalho? Esse TED, apresentado por Barry Schwartz, reflete sobre as relações de trabalho a partir da tecnologia das ideias. Acesse o link e divirta-se (ative a legenda). The way we think about work is broken (A maneira como pensamos sobre o trabalho está quebrada – Tradução livre). 

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Desenvolva seu Potencial

A INDÚSTRIA 4.0 E O FUTURO DO TRABALHO

Ouviu-se falar, pela primeira vez, em Indústria 4.0 na Feira de Hannover (Alemanha), em 2011, já que o governo tinha como estratégia desenvolver tecnologia de qualidade (FEIMEC, 2016). A base de sustentação da também chamada manufatura avançada, manufatura inteligente, indústria da internet ou quarta revolução industrial é a automação dos processos e a digitalização da cadeia fundindo o mundo real com o virtual (ALBERTINI et al., 2017). 

Contudo, para que você possa acompanhar o andamento histórico e antropológico que desencadeou o mundo onde estamos, observe o quadro comparativo a seguir para identificar as características de cada indústria ao longo do tempo, a partir da revolução industrial na Inglaterra.

Quadro 1 – Características principais das indústrias 

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS

Indústria 1.0

Início no séc. XVIII e XIX, na Inglaterra. A produção manual deu espaço para o uso do carvão, máquinas a vapor e locomotivas. Indústria têxtil passou a utilizar máquina a vapor e muitos setores passaram a usar máquinas como sistema de produção – era das invenções. Capitalismo deixa de ser comercial e passa a ser industrial. Mudanças tecnológicas.

Indústria 2.0

Em 1870, frente às novas demandas tecnológicas, ocorre a descoberta da eletricidade, o surgimento e modernização dos meios de transporte, a transformação do ferro em aço, o desenvolvimento da indústria química e de outros setores, o avanço dos meios de comunicação. É entendida como revolução industrial porque teve como destaque a busca de maiores lucros; especialização do trabalho; ampliação da produção. Início do Fordismo (1914), que pretendia racionalizar a produção em massa aumentando a oferta e a demanda. Fortalecimento do capitalismo em função das empresas calcularem seus custos e projetarem seus ganhos garantindo as margens de lucro.

Indústria 3.0

Conhecida também como Revolução Técnico-Científica e Informacional em função dos processos de inovação tecnológicos no campo da informática, da biotecnologia, química fina, robótica, das telecomunicações, dos transportes, além da nanotecnologia.

Passaram a ser utilizadas várias fontes de energia, e iniciou-se o uso crescente de recursos da informática; também teve início o aumento da consciência ambiental e questões sociais importantes como: diminuição crescente do emprego, pois a mão de obra passou a ser substituída por máquinas cada vez mais modernas; ampliação dos direitos trabalhistas; globalização; surgimento de potências industriais; massificação dos produtos tecnológicos.

Indústria 4.0

Ocorre com os avanços tecnológicos a partir do século XXI. Refere-se à integração de tecnologias avançadas na indústria, visando aumentar a eficiência e a produtividade das operações. Essas tecnologias estão apoiadas em pilares de automação, inteligência artificial, Internet das Coisas (IoT) e análise dos dados. São as características que mais se destacam na Indústria 4.0. O mercado passa a ser cada vez mais exigente, criando novos modelos de negócios a partir das fábricas inteligentes, as quais produzem de acordo com a necessidade do cliente, adaptando-se às preferências devido à rapidez de automação. O foco na capacitação dos trabalhadores torna-se cada vez mais importante para acompanhar as mudanças e tendências de mercado.

Fonte: Sakurai e Zuchi (2018).

Vamos aprofundar os aspectos da Indústria 4.0 para que você compreenda as características do trabalho no momento atual? Então, para Schwab (2016), a Indústria 4.0 representa uma nova era, na qual as máquinas estão se tornando cada vez mais inteligentes e capazes de tomar decisões de forma autônoma. Isso permite que as fábricas sejam mais flexíveis, adaptáveis e eficientes. Por exemplo, máquinas conectadas podem coletar dados em tempo real sobre o desempenho e a manutenção, permitindo que os problemas sejam identificados e corrigidos rapidamente. Isso sem deixar de mencionar que produzem com maior qualidade e a um custo reduzido.

Essa integração de tecnologias também tem um impacto significativo no futuro do trabalho. À medida que as máquinas se tornam mais autônomas, algumas tarefas anteriormente realizadas por humanos podem ser automatizadas. No entanto, isso não significa necessariamente que os empregos serão substituídos. De acordo com Manyika et al. (2017), a Indústria 4.0 também cria novas oportunidades de emprego e de trabalho, pois as habilidades necessárias mudam e surgem novas funções relacionadas à manutenção e operação dessas tecnologias. Lembra o que aconteceu com João?

É importante destacar que a integração entre humanos e máquinas se torna cada vez mais importante na Indústria 4.0. Os trabalhadores precisam adquirir habilidades digitais e capacidade de trabalhar em conjunto com sistemas de inteligência artificial e robôs. Além disso, o aprendizado contínuo e a adaptação às novas tecnologias são essenciais para acompanhar as mudanças.

Em resumo, a Indústria 4.0 refere-se à integração de tecnologias avançadas na indústria para melhorar a eficiência e produtividade. Isso impacta o futuro do trabalho, exigindo que os trabalhadores adquiram habilidades digitais e sejam capazes de colaborar com máquinas inteligentes. No entanto, também cria novas oportunidades de emprego relacionadas à manutenção e operação dessas tecnologias. Coelho (2016) descreveu os nove pilares da Indústria 4.0 como facilitadores do uso das tecnologias. São eles:

Figura 1 – Pilares da Indústria 4.0

Fonte: https://pollux.com.br/blog/resumo-sobre-industria-4-0-entenda-rapidamente-os-conceitos-e-beneficios/. Acesso em: 23 out. 2023.

Descrição da imagem: a figura organizada em círculos coloca no centro o título da abordagem: nove pilares do avanço tecnológico. Cada um dos pilares orbita em torno desse título no centro, também no formato de círculos: Big Data e Analytics, Robôs autônomos, Simulação, Realidade Aumentada, Integração de Sistemas, Manufatura Aditiva, Cybersegurança, Nuvem, Internet Industrial. Fim da descrição.

EU INDICO

Este vídeo nos provoca a pensar se todos podem se beneficiar da tecnologia e seguir essa nova revolução. Assista a ele, vale muito a pena! Faça anotações para complementar seu aprendizado até o momento.

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Rodrigues, Queiroga e Milhossi (2022) analisam como a Indústria 4.0 e o trabalho se relacionam e acontecem no Brasil. Atualmente, 5% das empresas estão alinhadas a esse cenário. Para que se possa acompanhar o andar dessa nova ordem mundial, o Ministério da Indústria, Comércio e Serviços fez um aporte de recursos volumoso para a importação de robôs, e a intenção é que esse investimento cresça 15% nos próximos 8 anos. Assim, estima-se que haja maior economia de energia, custo de manutenção pelo aumento de eficiência com investimentos de implantação, ampliação e modernização de fábricas.

PENSANDO JUNTOS

A partir do que estudou até o momento, reflita: como a adoção em larga escala da Indústria 4.0 impactará o futuro do trabalho? Quais são os desafios e oportunidades que surgirão para os profissionais nesse contexto? Acrescente a isso a reflexão que já possui sobre suas potencialidades e veja quanto está preparado para este momento. Desafie-se!

Os autores frisam que esse é um caminho sem volta pela necessidade de as empresas acompanharem o mercado e se adaptarem a ele para sobreviverem. Estamos falando da necessidade de otimizar o processo e reduzir custos. Diante disso, os profissionais não podem ficar passivos, o que os leva à atualização para que sejam inseridos nesse mercado de trabalho, já que as empresas estarão em busca de novos perfis, com competências e habilidades novas. Assunto para nosso próximo tópico.

PERFIL PROFISSIONAL CONTEMPORÂNEO

No novo contexto do trabalho, além das habilidades técnicas, os profissionais precisam se adaptar a uma mentalidade de aprendizado contínuo. A rápida evolução tecnológica implica que as habilidades adquiridas hoje podem se tornar obsoletas amanhã, portanto, a capacidade de se atualizar e adquirir novos conhecimentos é fundamental. A formação contínua, seja por meio de cursos on-line, treinamentos e certificações, é essencial para manter-se relevante e competitivo no mercado de trabalho da Indústria 4.0.

a capacidade de se atualizar e adquirir novos conhecimentos é fundamental

No entanto, não são apenas as habilidades técnicas e a capacidade de aprendizado contínuo que moldam o perfil profissional nesse novo contexto. As competências socioemocionais também são fundamentais. A capacidade de trabalhar em equipe, se comunicar efetivamente, resolver problemas complexos, adaptar-se a mudanças e demonstrar criatividade são qualidades valorizadas na Indústria 4.0. Essas competências não podem ser totalmente automatizadas e continuam sendo importantes para o sucesso profissional.

De acordo com o relatório The Future of Jobs, do Fórum Econômico Mundial (em inglês, World Economic Forum) – WEF, 2016 até 2022, as empresas esperavam que cerca de 42% das habilidades essenciais seriam diferentes das requeridas em 2019. Isso destaca a necessidade de uma formação profissional que seja ágil e capaz de acompanhar a evolução do mercado de trabalho. Então, 2022 já passou e você já percebe mudanças acontecerem no cenário mundial – crescimento da IoT, expansão da Inteligência Artificial, que se tornou acessível a todas as pessoas, entre outras.

Em suma, a Indústria 4.0 está mudando a forma como as empresas operam e, consequentemente, afeta o perfil profissional contemporâneo. A formação de profissionais para esse contexto requer um equilíbrio entre habilidades técnicas especializadas, capacidade de aprendizado contínuo e competências socioemocionais. Aqueles que conseguirem se adaptar e se desenvolver nesse ambiente de rápida mudança terão melhores perspectivas de carreira. A formação profissional torna-se, portanto, um fator-chave para o sucesso e a sustentabilidade no futuro do trabalho.

O WEF de 2023 trouxe um novo relatório, The Future of Jobs, que aponta as 10 competências mais valorizadas pelas empresas até 2027. Elas são importantes pela constatação de que a tecnologia será cada vez mais a mola mestra das empresas em todo mundo. Profissões e negócios que estiverem compatíveis com a economia verde – energia limpa (sol, vento), sustentabilidade, bem como educação e saúde – tendem a se destacar no cenário mundial, contudo, será o uso de tecnologia em cada área que fará a diferença na competitividade. Estamos falando da inteligência artificial (AI), IoT, automação e análise de dados.

Essas macrotendências, incluindo a transição verde, padrões ESG  (sigla para environmental, social and governance) e localização de cadeias de suprimentos, são os principais impulsionadores do crescimento do emprego, com desafios econômicos incluindo inflação alta, crescimento econômico mais lento e escassez de suprimentos, representando a maior ameaça. O avanço da adoção da tecnologia e o aumento da digitalização causarão uma rotatividade significativa no mercado de trabalho, com uma rede global positiva na criação de empregos. Estima-se que 83 milhões de postos de trabalho serão eliminados e 69 milhões, criados até 2027.

Em resposta à crise do custo de vida, 36% das empresas reconhecem que a oferta de salários mais elevados poderia ajudá-las a atrair talentos. No entanto, as empresas planejam combinar investimento e deslocamento para tornar as suas forças de trabalho mais produtivas e rentáveis. 

Quatro em cada cinco empresas pesquisadas planejam investir em aprendizagem e treinamento no trabalho, bem como na automatização de processos nos próximos cinco anos. Dois terços das empresas esperam ver um retorno sobre o investimento em treinamento de habilidades dentro de um ano após o investimento, seja na forma de maior mobilidade entre funções, maior satisfação do trabalhador ou maior produtividade do trabalhador.

As fortes competências cognitivas são cada vez mais valorizadas pelos empregadores, refletindo a crescente importância da resolução de problemas complexos no local de trabalho. As habilidades mais importantes para os trabalhadores em 2023 são o pensamento analítico e o pensamento criativo, e espera-se que continue assim nos próximos cinco anos. A alfabetização tecnológica, e IA e Big Data especificamente, se tornarão mais importantes, e as estratégias de habilidades da empresa se concentrarão nisso nos próximos cinco anos.

O fórum listou as 10 principais competências esperadas pelas empresas:

Figura 1 - Dez principais competências esperadas pelas empresas, segundo o WEF

Fonte: adaptada de WEF (2023).

Descrição da imagem: a figura apresenta as dez principais competências esperadas pelas empresas, segundo o Fórum Econômico Mundial (WEF), as quais constam dentro de notas adesivas coloridas. São elas: 1. Pensamento analítico. 2. Criatividade. 3. Resiliência, flexibilidade e agilidade. 4. Motivação e autoconsciência. 5. Curiosidade e lifelong learning. 6. Alfabetização tecnológica. 7. Empatia e escuta ativa. 8. Confiabilidade e atenção ao detalhe. 9. Liderança e influência social. 10. Controle de qualidade.

Você se lembra do meu amigo João? Sim, ele me contou alguns dos seus insights quando se viu abrindo espaço para esse novo modelo de interação com o trabalho. Vamos conhecer esses insights? Ele se deu conta que também precisava ser criativo e inovador. Ele aprendeu a pensar “fora da caixa”, a buscar soluções criativas para os desafios e a estar aberto a novas ideias e perspectivas.

Com seu perfil profissional contemporâneo em constante evolução, João sentiu-se preparado para enfrentar o mercado de trabalho. Entendeu que precisava de um emprego em uma empresa que valorizasse suas habilidades adaptáveis e o incentivasse a continuar aprendendo e se desenvolvendo.

Ao longo dessa jornada, João percebeu que o perfil profissional contemporâneo era um processo contínuo. Continuou a se atualizar, a aprimorar suas habilidades e a se adaptar às mudanças do mercado. Tornou-se um exemplo de sucesso na nova economia, inspirando outros a buscarem um perfil profissional contemporâneo e a abraçarem as oportunidades de um mundo em constante transformação.

o perfil profissional contemporâneo é fundamental para prosperar na nova economia

E, assim, agora, João vive uma vida profissional repleta de desafios, aprendizados e conquistas, sempre se reinventando e se adaptando, provando que o perfil profissional contemporâneo é fundamental para prosperar na nova economia.

Como ele fez isso? João entendeu que precisava voltar aos estudos. Lembra-se de que ele contou que iniciou um programa de treinamento especializado em inteligência artificial e robótica? Sim, ele começou sua jornada educacional em uma faculdade renomada, onde teve acesso a conhecimentos tradicionais e fundamentais para sua formação. No entanto, ele também percebeu que precisava ir além dos conceitos básicos para se destacar em sua área de atuação.

Ele mergulhou em estudos sobre as tendências do mercado de trabalho, pesquisou sobre as profissões emergentes e as habilidades mais requisitadas pelas empresas. Foi assim que descobriu que o perfil profissional contemporâneo estava além de um diploma e experiência prévia. Era necessário um conjunto de habilidades e competências adaptáveis e flexíveis.

Essas habilidades, de acordo com as recomendações de Benvenutti (2018), são as compatíveis com profissionais que querem sair à frente e tomar a dianteira no mundo.

Essa habilidade refere-se não apenas a ter um propósito pessoal descrito, mas encontrar a empresa onde você possa vivenciar esse propósito. Uma empresa mobiliza as pessoas a compartilharem valores e, assim, considera que as ações são muito mais do que palavras. Por isso, para causar impacto, incorpore seu propósito em suas ações e associe-o a todas as suas atitudes.

Refere-se a estar atento a todas as possibilidades que possam existir para o negócio baseando-se no benefício que entrega, e não no que faz. Se você é um engenheiro mecânico de uma indústria de elevadores, você não entrega elevadores, você entrega um meio de transporte seguro (core business). As pessoas – seus clientes – não estão interessados no processo de como você fez isso, mas no que está entregando. Assim, poderá enxergar a próxima curva na indústria de transporte de pessoas. É importante se encantar não pelo produto que entrega, mas pelo benefício que ele gera.

"Os analfabetos deste século não são aqueles que não sabem ler ou escrever, mas os incapazes de aprender, desaprender e aprender de novo" (BENVENUTTI, 2018. p. 109). As perguntas impulsionam as mudanças e transformações. Elas levam ao debate de convenções, normas e comportamentos mudando a forma de se ver o mundo, já que desafiam o senso comum e desacomodam o estabelecido. É quando a disrupção pode aparecer e uma nova linguagem organizacional aparece pelo questionamento. A dúvida move o mundo para frente e tem a possibilidade de prototipar novas formas de ser e agir frente aos negócios na sua profissão e além. 

Essa habilidade leva ao desafio de entender que aquilo que se faz não é para alguém consumir baseado na sua percepção de necessidade, mas é construído com o outro a partir da dor que está sentindo no momento. Refere-se a estar pronto para buscar o feedback sobre a sua criação com aqueles que irão realmente usá-la, identificando se há eco nessa entrega. Fazer com é incluir o outro (cliente, colega de trabalho, sociedade, chefias) na equação para a viabilidade da sua ideia, trabalho e entrega.

Nunca, na história mundial, a diversidade foi tão relevante em termos de unir experiências entre pessoas de todo o mundo em um espaço só – as empresas. Hoje, trabalhamos a distância, sem a necessidade de mudança física, necessariamente. Isso faz com que as adaptações às mais diversas culturas aconteçam. Afinal “diversidade se refere a convidar para a festa, inclusão refere-se a tirar para dançar, e performance, a escolher a música” (ditado popular). Então, a interação entre povos, tribos e jeitos diferentes já foi entendida como algo importante para a consolidação da diversidade para performance da empresa e propósito pessoal. Afinal, aprender com o diferente de mim me faz uma pessoa melhor.

INDICAÇÃO DE LIVRO

SOBRE O LIVRO:

Esta obra leva o profissional a entender a necessidade de desapegar-se do modo tradicional de construir carreiras e negócios para desenvolver as capacidades exigidas pelo século XXI. Pensando nisso, o autor compartilha as cinco competências adotadas por profissionais e organizações que assumiram a dianteira do mundo. Além de apresentar uma visão direta e sem rodeios sobre o futuro dos empregos, profissões e empresas, o livro é um guia prático para você se diferenciar nesse ambiente cada vez mais competitivo.

Fechando, João aprendeu que a capacidade de aprender rapidamente e se adaptar a novas situações era uma das principais características desse perfil profissional contemporâneo. Ele precisava estar disposto a se atualizar constantemente, abraçando a aprendizagem ao longo da vida. Com a lição aprendida por João, também podemos aprender, nos antecipar e estarmos preparados para as oportunidades. 

EM FOCO

A Inteligência Artificial veio para tirar o seu trabalho? Como a aposta nesta tecnologia fará com que algumas profissões deixem de existir? Neste vídeo, intitulado Inteligência artificial e seus impactos no mercado de trabalho, você entenderá como as profissões podem se relacionar ou não com o advento das tecnologias nas nossas vidas. Aproveite e reflita sobre esse momento que está se abrindo no mercado de trabalho. Será esse o seu caso? 

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TRABALHABILIDADE NA NOVA ECONOMIA

A trabalhabilidade na nova economia é um conceito que aborda as habilidades e competências necessárias para prosperar em um ambiente de trabalho em constante evolução. Trabalhabilidade é a capacidade de gerar oportunidades a partir de habilidades e competências pessoais, mantendo-se economicamente ativo, seja por meio da relação de emprego, serviços, empreendedorismo e todas as múltiplas formas de trabalho. 

Com o avanço da tecnologia, globalização e mudanças rápidas nos mercados, a forma como as pessoas trabalham e as demandas do mercado de trabalho estão se transformando. Como você já deve perceber, já acontece. Não estamos falando de uma perspectiva futurista. Entende? Esse tema, inclusive, já é estudado desde 1990, no Brasil (PEREIRA; RAMOS, 2022). Contudo, aqui, vamos concentrar os estudos feitos dentro da nova economia.

Então, para compreender melhor a trabalhabilidade na nova economia, Schwab (2016) descreve como a convergência de tecnologias disruptivas, inteligência artificial, a robótica, a impressão 3D e a IoT estão remodelando o mundo do trabalho. Ele argumenta que a capacidade de se adaptar e aprender continuamente será fundamental para os trabalhadores nessa nova era.

Já Friedman (2014) discute a globalização e a interconexão dos mercados, os quais criam uma competição acirrada em escala global. Ele destaca a importância de habilidades como a adaptabilidade, a criatividade e a capacidade de trabalhar em equipes multiculturais para ter sucesso nesse ambiente de trabalho em constante mudança.

Além disso, o relatório Future of Jobs, do WEF (2023), também é uma referência importante. Esse relatório analisa as tendências emergentes no mercado de trabalho e destaca as principais habilidades que serão demandadas nos próximos anos. 

Vamos fazer uma distinção importante entre empregabilidade e trabalhabilidade, considerando que esse termo não é tão popular quanto o primeiro: “empregabilidade é um conceito distinto da trabalhabilidade, pois é uma tentativa de descrever a capacidade das pessoas de se tornarem empregadas e serem capazes de manter esse emprego ou encontrar um novo emprego” (MALTBY, 2011, p. 301), e ‘’a trabalhabilidade pode ser reconhecida como um cenário que exige do indivíduo a capacidade de renovação, inovação e atualização de habilidades e competências, tanto pessoais como profissionais’’ (BULHÕES; VASCONCELOS; LEITE, 2016, p. 35). Portanto, podemos dizer que a trabalhabilidade está dentro da empregabilidade, considerando que, à medida que nos preparamos, melhoramos nossa empregabilidade.

Entre as competências mais valorizadas, estão o pensamento crítico, a resolução de problemas complexos, a inteligência emocional, a capacidade de aprender ativamente e a habilidade de trabalhar com tecnologias digitais.

No contexto da trabalhabilidade na nova economia, também é relevante explorar o conceito de soft skills. Sonmez (2021) aborda a importância das habilidades interpessoais como comunicação efetiva, colaboração, adaptabilidade e habilidades de liderança,que se tornam cada vez mais essenciais em um ambiente de trabalho dinâmico e colaborativo.

Para finalizar, os autores e o Fórum Econômico, em suas manifestações, apontam para um conjunto de habilidades para a trabalhabilidade na nova economia. Envolve a capacidade de se adaptar às mudanças, aprender continuamente e desenvolver habilidades relevantes para o mercado de trabalho em constante evolução. 

PENSANDO JUNTOS

Você já refletiu sobre quais desses aspectos já fazem parte do seu perfil e quais precisam ser desenvolvidos para garantir a sua inserção no mercado de trabalho em empresas da nova economia? Faça esse exercício para agregar ao seu projeto de vida.

EU INDICO

Descubra os impactos da Covid-19 na trabalhabilidade e desenvolvimento humano. Uma pesquisa de 2022 revela como o cenário atual transformou as relações de trabalho e influenciou a saúde mental, qualidade de trabalho e equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Uma leitura essencial para compreender o futuro do trabalho na nova economia. Desfrute!

Detecção e análise dos fatores que influenciam o desenvolvimento humano e a trabalhabilidade dos trabalhadores – de Pereira e Ramos (2022). 

CARREIRAS SUSTENTÁVEIS E EXPONENCIAIS

Vamos iniciar falando das noções de carreiras sustentáveis, depois, vamos entrar nas ideias sobre carreiras exponenciais. Certo? São vários conceitos importantes para entender as distinções.

Do ponto de vista da sustentabilidade de carreira, estamos falando da necessidade do envolvimento de diversas pessoas que influenciam o contexto internacional, nacional, sistema político, educacional, mercado de trabalho e organizacional (DE VOS et al., 2016). Por não se tratar de um processo estático, linear e previsível, mas dinâmico, vivenciado em ciclos dentro da trajetória de vida e carreira, pode ser mais ou menos sustentável, de acordo com os resultados das relações dos envolvidos ao longo do tempo (MÜLLER; SCHEFFER, 2022).

Uma carreira sustentável é aquela em que o profissional possui a capacidade e a disposição para se adaptar continuamente às mudanças no mercado de trabalho e na sua própria profissão. Essa adaptação envolve a aquisição de novas habilidades, a busca por conhecimento atualizado e flexível para abraçar novas oportunidades e desafios à medida que surgem. Em essência, uma carreira sustentável é aquela que permite ao indivíduo prosperar e crescer ao longo do tempo, garantindo sua relevância e sucesso em um ambiente em constante evolução. Dessa forma, o principal componente dessa equação é o indivíduo que não se apresenta passivo, mas interagindo com o meio influenciando e sendo influenciado (DE VOS et al., 2020).

A busca por uma carreira sustentável no tempo é um desafio cada vez mais relevante em um mundo em constante transformação. À medida que a sociedade e a tecnologia avançam, as carreiras individuais também passam por mudanças significativas. Para enfrentar esse cenário dinâmico, é essencial adotar estratégias que permitam não apenas a sobrevivência, mas também o crescimento profissional contínuo.

Assim, exploraremos como desenvolver uma carreira sustentável ao longo do tempo, considerando as mudanças na sociedade e nas tecnologias, e analisando os impactos que uma carreira pode sofrer, incluindo a necessidade de atualização, modificação ou mesmo extinção (GRANT, 2017).

O WEF (2023) traz seis atitudes que orientam e potencializam as carreiras sustentáveis e podem ser aplicadas em qualquer área do conhecimento. São elas:

Uma carreira sustentável começa com a disposição de aprender e se adaptar constantemente. A velocidade das mudanças tecnológicas e sociais exige que os profissionais estejam sempre atualizados em suas áreas de atuação. Isso pode ser alcançado por meio de educação contínua, cursos de atualização, treinamentos e acompanhamento de tendências relevantes para sua indústria.

Além de dominar as competências técnicas específicas de sua área, é crucial desenvolver habilidades transversais, como pensamento crítico, resolução de problemas, comunicação eficaz e adaptabilidade. Essas habilidades são valiosas em qualquer contexto profissional e ajudam a enfrentar os desafios que as mudanças podem trazer.

A construção de uma rede de contatos sólida é fundamental para o desenvolvimento de uma carreira sustentável. Conectar-se com colegas, mentores e líderes da indústria não apenas oferece oportunidades de aprendizado e crescimento, mas também pode ser útil quando se busca atualizações ou mudanças na carreira.

A capacidade de antecipar e abraçar mudanças é uma habilidade crucial em um mundo em constante evolução. Aqueles que podem identificar tendências emergentes e se adaptar rapidamente a elas têm uma vantagem competitiva. Isso pode envolver a busca por novas oportunidades de carreira, a exploração de novos mercados ou a adoção de tecnologias inovadoras.

Uma mentalidade empreendedora pode ser aplicada em qualquer carreira. Isso envolve assumir a responsabilidade pelo próprio desenvolvimento, estar disposto a assumir riscos calculados e buscar constantemente maneiras de criar valor, seja por meio de projetos independentes ou dentro de uma organização.

A extinção de carreiras é uma realidade que não pode ser ignorada. Avanços tecnológicos, mudanças econômicas e sociais podem tornar algumas profissões obsoletas. Para mitigar esse risco, é importante estar ciente das tendências do mercado de trabalho e ter um plano de contingência. Isso pode envolver a diversificação de habilidades ou a exploração de oportunidades alternativas de carreira.

O ciclo de vida profissional, que prevê a média de anos que um indivíduo permanece economicamente ativo no mercado de trabalho e a quantidade de aprendizado e adaptação necessários para manter essa atividade, é uma realidade que vem sofrendo mudanças significativas nas últimas décadas. Esse conceito, que anteriormente era caracterizado por uma entrada precoce no mercado de trabalho, seguida de uma carreira linear e uma aposentadoria estável, está evoluindo para um paradigma muito mais dinâmico e desafiador. 

De acordo com o estudo do WEF O Futuro dos Empregos (2023), a expectativa de vida profissional está aumentando, e a noção de aposentadoria tradicional está sendo redefinida. As pessoas estão trabalhando por mais tempo, estendendo sua permanência no mercado de trabalho além dos 60 anos. Esse prolongamento da carreira exige que os indivíduos estejam dispostos a aprender e se adaptar ao longo de um período muito mais extenso.

A necessidade de aprendizado contínuo é ainda mais acentuada devido às rápidas mudanças tecnológicas e sociais que impactam as profissões. Como mencionado por Friedman (2014), a tecnologia está nivelando o campo de atuação e tornando obsoletas muitas ocupações tradicionais. Portanto, a habilidade de se manter relevante no mercado de trabalho requer uma disposição constante para adquirir novas habilidades e conhecimentos. A grande questão ainda é: quais profissões se tornarão obsoletas futuramente?

Outra perspectiva interessante é a teoria do "aprendizado ao longo da vida", proposta por Cahn e Gray (2005). Essa teoria destaca a importância de criar oportunidades de aprendizado contínuo ao longo da carreira, incentivando os indivíduos a se atualizarem e a adquirirem novas habilidades sempre que necessário. Portanto, o Ciclo de Vida Profissional, agora, abraça a ideia de que a aprendizagem contínua é uma parte intrínseca de uma carreira sustentável. Para manter-se economicamente ativo por um período mais longo e prosperar em um mercado de trabalho em constante evolução, os profissionais devem abraçar a mentalidade de "aprendizado ao longo da vida", buscar oportunidades de treinamento e desenvolvimento, e estar dispostos a se adaptar às novas realidades profissionais.

O ciclo de vida profissional está se estendendo, e a necessidade de aprendizado contínuo está se tornando mais premente do que nunca. Para entender a complexidade desse ciclo e a quantidade de aprendizado e adaptação necessárias, é essencial considerar as mudanças sociais, tecnológicas e econômicas que moldam as carreiras modernas. A capacidade de aprender e evoluir ao longo da vida profissional é, agora, um requisito indispensável para manter-se economicamente ativo e relevante no mercado de trabalho em constante transformação.

As áreas profissionais, como um todo, se caracterizam por desafios ambientais e sociais com uso de tecnologias e tendências emergentes. Estão alinhadas com os princípios da sustentabilidade alavancando o crescimento econômico e a inovação, o que gera impacto benéfico ao mundo (MÜLLER; SCHEFFER, 2022).

Por outro lado, as carreiras exponenciais estão relacionadas à rápida evolução das tecnologias e ao impacto transformador que elas têm na sociedade. Uma carreira exponencial é aquela em que o profissional não apenas se adapta às mudanças no mercado e na profissão, mas também busca maneiras inovadoras de se destacar e crescer de forma exponencial. Isso envolve a busca por oportunidades de inovação, o desenvolvimento de habilidades altamente especializadas e a criação de redes de contatos estratégicos. O profissional em uma carreira exponencial busca constantemente desafios que o levem a aprender e evoluir rapidamente, alcançando um crescimento significativamente acelerado em termos de impacto, reconhecimento e sucesso profissional. É uma abordagem que vai além da simples adaptação e procura criar um impacto transformador no campo de atuação.

Essas carreiras estão no centro da inovação e do avanço tecnológico, e são impulsionadas por tendências como inteligência artificial, aprendizado de máquina, automação, internet das coisas, energia renovável, biotecnologia, entre outras. Elas têm o potencial de criar mudanças significativas em diversos setores, como: energia, transporte, saúde, agricultura, finanças e educação.

Algumas carreiras sustentáveis e exponenciais, relacionadas a seguir, são totalmente possíveis de serem inseridas nas mais diversas áreas do conhecimento, como já frisamos. Avalie como sua carreira pode se beneficiar delas.

Energia renovável e eficiência energética

Profissionais nessa área trabalham no desenvolvimento e implementação de fontes de energia limpa, como solar, eólica, hidrelétrica e biomassa, além de projetos de eficiência energética para reduzir o consumo de energia.

Tecnologia da informação e comunicação sustentável

Essa carreira se concentra em projetar e implementar soluções tecnológicas sustentáveis, como centros de dados eficientes, redes de comunicação de baixo consumo de energia e soluções para gerenciamento inteligente de recursos.

Agricultura e segurança alimentar sustentável

Profissionais nessa área trabalham no desenvolvimento de práticas agrícolas sustentáveis, como agricultura orgânica, agroecologia, aquaponia, agricultura vertical, além de sistemas de rastreabilidade e segurança alimentar.

Gestão ambiental

Profissionais dessa área são responsáveis por identificar e gerenciar os impactos ambientais de organizações e projetos, bem como desenvolver estratégias para a sustentabilidade, como gestão de resíduos, análise de ciclo de vida e avaliação de impacto ambiental.

Engenheiro de energia renovável

Especialistas em projetar, desenvolver e implementar sistemas de energia renovável, como painéis solares, turbinas eólicas e sistemas de armazenamento de energia.

Desenvolvimento urbano sustentável

Essa carreira envolve o planejamento e desenvolvimento de cidades sustentáveis, incluindo a concepção de edifícios verdes, infraestrutura inteligente, transporte público eficiente e estratégias de gerenciamento de resíduos.

Ciência e tecnologia para a saúde

Profissionais nesta área trabalham no desenvolvimento de novos medicamentos, terapias e tecnologias médicas, como a telemedicina, a medicina de precisão e a impressão 3D de órgãos, visando melhorar a saúde humana de forma sustentável.

Especialista em Inteligência Artificial (AI)

Profissionais que desenvolvem algoritmos e sistemas baseados em IA para automatizar tarefas, criar assistentes virtuais, desenvolver veículos autônomos, entre outros.

O campo do trabalho está em constante evolução à medida que novas tecnologias e descobertas surgem. É importante destacar que o rápido avanço tecnológico abre caminho para uma ampla gama de oportunidades profissionais. E então, você se identificou com alguma das áreas relacionadas? 

À medida que você estudar e aprender as inúmeras possibilidades de trabalho que existem com essas novas configurações, certamente, a sua visão sobre o trabalho também irá se modificar. O que é importante para gerações passadas poderá não fazer sentido para você e para gerações futuras. 

PENSANDO JUNTOS

Por isso, o projeto de vida é importante, entende? Redesenhar o trabalho ressignificando conceitos e estruturas será a ordem da vez. Desafie-se!

Não se esqueça: a carreira é sua e intransferível e, por isso, a importância de investir em atualizações, estar pronto para mudanças, considerar que sua profissão ocorre em ciclos e está repleta de possibilidades e, até mesmo, existe a possibilidade de adquirir outra carreira concomitante a sua. Afinal, mais do que nunca, a importância em aprender e desaprender e aprender novamente nunca foi tão presente.

Novos desafios

Deixo o convite para que, após entender como as coisas funcionam nas empresas que compõem a Indústria 4.0 na nova economia, você possa usar a Matriz SWOT pessoal para fazer a análise dos ambientes considerando o que já aprendeu sobre si mesmo. Realizando essa atividade, você contribui para o seu projeto de vida com mais e novas ideias para seus objetivos profissionais. No entanto, antes de dizer que já conhece a matriz e que não é algo novo, explore as perguntas e o que está sendo solicitado para analisar. O diferencial é que você fará a conciliação entre o interno (o que está dentro de você) com o que está ao seu redor (externo).

Fonte: adaptada de Ronsoni e Guareschi (2018).

Pronto, agora você tem mais informações a respeito de si mesmo, visualizando as possibilidades de um contexto da Indústria 4.0. Se você foi seduzido pela tecnologia e suas possibilidades, não se esqueça de considerar isso como informação importante para o seu projeto de vida. A partir disso, algumas ações para adaptação a esse contexto serão necessárias, como, a sua disposição em fazer mudanças. Bom trabalho!

VAMOS PRATICAR?

Chegou o momento de testar o conhecimento adquirido até aqui! Para isso, por favor, participe da autoavaliação que preparamos especialmente para você. São apenas 3 questões e ao final um feedback.

A Indústria 4.0 traz uma nova relação homem-máquina, ou seja, as máquinas podem executar tarefas que antes eram realizadas pelos empregados de forma manual por meio de observação e anotações em planilhas, algumas vezes, colocando em risco a própria segurança do trabalhador. Assim, processos de predição e correção de máquinas passam a ter dados em tempo real e decisões autônomas das próprias máquinas na correção de problemas.

Considerando o enunciado do texto, assinale a resposta que mais se identifica com as características da Indústria 4.0 referente ao impacto no trabalho.

A Revolução Industrial teve seu início no século XVIII, dando espaço para a produção não mais artesanal, mas com uso de máquinas que necessitavam de outras fontes de energia. Para fins de entendimento antropológico, estamos na Indústria 4.0 com características marcantes no uso da tecnologia.

Considerando a evolução da indústria desde a 1.0 até a 4.0, qual(is) característica(s) marcam essa evolução em termos de sociedade?

I- Novos modelos de negócio não necessitam mais ser criados a partir do uso da tecnologia.

II- Notou-se uma evolução na forma de se fazer negócios com o advento do capitalismo.

III- O capitalismo evolui de comercial para industrial e as empresas focam nos lucros, na relação do trabalhador com o trabalho, uso de máquinas, atuação tecnocientífica.

É correto o que se afirma em:

A aquisição de competências para o trabalho é uma preocupação recorrente nas organizações. Muitos já foram os investimentos em qualificação técnica disponibilizados aos trabalhadores para que pudessem ter a melhor performance na execução das suas tarefas. No entanto, de acordo com Fórum Econômico Mundial (WEF, 2023), além do preparo técnico, os trabalhadores necessitam de competências socioemocionais.

A partir das observações do Fórum, pode-se afirmar que o profissional de maior performance será aquele que...

REFERÊNCIAS

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