Olá, estudante! Para começarmos o tema de hoje, incito uma reflexão:
quantas vezes você pensou sobre a importância de planejar a sua
vida?
A expectativa de ter uma vida boa, arrisco em dizer, é um desejo.
Planejar é outra história, não é?
A fim de ter uma vida boa,
algumas coisas precisam acontecer para chegarmos a esse objetivo,
que não precisa ser ao final, mas durante a vida.
O que é a vida boa? Uma vida boa é quando produzimos felicidade
autêntica e gratificação abundante nas diversas áreas do nosso
cotidiano, como no trabalho, no amor e na família. Algumas pessoas a
confundem com uma vida agradável, aquela que se obtém tomando
champanhe e dirigindo uma ferrari. Entretanto, a felicidade vem mais
do exercício da bondade do que do prazer. Experimente praticar uma
atividade prazerosa e outra filantrópica e observe as sensações
quanto a intensidade e duração de cada uma. Você perceberá que a
sensação de prazer passa mais rápido do que a de bondade. Para isso,
a filantropia precisa se encontrar com as nossas forças pessoais, e
fazemos isso através do uso de nossas virtudes, sempre com
autenticidade.
Todos nós temos características positivas e negativas, a questão está
em como fazemos o uso delas. Lembre-se, se você está aqui, é porque
seus ancestrais foram os mais fortes sobreviventes, enquanto os mais
fracos não tiveram descendentes. As forças e virtudes são os
aspectos positivos que levam a sentimentos bons e à gratificação.
Posto isso, o que sabemos sobre as forças e virtudes? Entendemos que
elas são características individuais que se manifestam por
pensamentos, sentimentos e ações. Quanto mais presentes na vida das
pessoas, haverá mais saúde e qualidade de vida, pois são entendidas
como fatores de proteção que garantem um funcionamento ideal.
Até aqui, você já entendeu que as forças e virtudes contribuem para a
realização individual, satisfação e felicidade em geral, sendo
moralmente valorizadas.
Agora, exploraremos sua origem e categorias. Falamos de algo milenar.
Confúcio, Aristóteles, São Tomás de Aquino, o Bushido (buchído)
(código de ética dos samurais), o Bhagavad Gita (bagavádi guitá)
indiano e outras tradições veneráveis já tratavam e descreviam sobre
forças e virtudes.
Apesar de algumas divergências, todos concordando com as seis
virtudes: sabedoria, coragem, amor, justiça, moderação e
transcendência.
Ao longo dos anos, as pesquisas em psicologia positiva elegeram
alguns critérios para definir as forças, como a valorização em quase
todas as culturas pelo que são, e não como meios para atingir outros
fins. As virtudes e suas forças estão assim agrupadas: sabedoria
(criatividade, curiosidade, pensamento crítico, amor ao aprendizado
e sensatez); coragem (bravura, perseverança, autenticidade e
vitalidade); humanidade (amor, bondade e inteligência social);
justiça (cidadania, imparcialidade e liderança); temperança (perdão,
modéstia, prudência e autorregulação) e transcendência (apreciação
ao belo, gratidão, esperança, humor e espiritualidade).
A boa notícia é que, preenchendo a escala de forças e virtudes, você
descobrirá aquelas que predominam como seu traço de personalidade
nesse momento, bem como aquelas que poderiam receber mais
investimento, pensando em desenvolvimento para alcançar seus
propósitos pessoais.
Ao conhecermos nossas forças, temos a oportunidade de perceber
novidades dentro de nós que não aparecem até serem desafiadas. Por
exemplo, pessoas em locais de guerra enfrentam situações tão
complicadas que todas as forças ancestrais acabam se manifestando
para garantir a sua sobrevivência.
Fazemos uso de forças
tônicas mais do que a fásicas. Bondade, curiosidade, lealdade e
espiritualidade são forças tônicas e as manifestamos várias vezes ao
dia. Coragem, perseverança, perspectiva e justiça são fásicas e só
aparecem quando há real necessidade.
Nos reconhecemos pela prática de nossas forças pessoais. As que não
manifestamos muitas vezes são deixadas de lado, afinal, se não são
usadas, para que tentar reforçá-las? A não ser que faça parte do seu
plano de vida perdoar mais, por exemplo.
As forças pessoais que nos representam têm a capacidade de colocar em
rota a mais profunda satisfação emocional.
É aqui que voltamos ao nosso ponto de partida, a vida boa. Não
esqueça, o bem-estar, que vem do uso das forças pessoais, precisa
estar ancorado em algo maior. A vida agradável vai além da vida boa
e a vida significativa e transcende. A psicologia positiva nos fala
sobre propósito e sobre aderir algo maior. Quanto maior, mais
significado haverá em sua vida. O desafio é transcender os
propósitos que escolhemos.
Outra distinção importante é o
talento. Qualquer pessoa pode desperdiçar um talento. Você pode ser
uma pessoa inteligente, mas desperdiçá-la por falta de determinação.
Assim como você pode ser uma pessoa boa e desperdiçar a bondade.
O uso das virtudes sem esforço traz emoção, adoração, admiração e
reverência. Ter uma vida boa e de significado nos exige exatamente
isso: usar nossas forças pessoais para nos fazermos felizes e
satisfeitos. A felicidade perdura, o prazer é passageiro. A vida com
significado motiva a realização dos nossos propósitos e gera afetos
positivos de gratidão, amizade e amor, aumentando a satisfação com a
vida, justamente por vermos nossas forças pessoais nos impulsionando
para o resultado planejado no propósito de vida.
Experimente
viver uma vida com mais propósito e use tudo de melhor que há em
você. Se ainda não souber quais são suas forças, procure por meio de
testes, coaching (côutin), mentoring (mentorin) ou outras técnicas
de desenvolvimento. Até a próxima.